Questionários Clínicos
Marcha e mobilidade

Timed Up and Go (TUG)

Mede o tempo, em segundos, que a pessoa leva para levantar-se de uma cadeira, caminhar 3 metros, girar, voltar e sentar-se novamente. É rápido, exige quase nenhum equipamento e é um dos testes de mobilidade funcional mais aplicados no mundo.

<strong>Tempo</strong> em segundos
~5 min
↓ menor = melhor mobilidade
Adulto e pediátrico

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O que o instrumento avalia

O TUG condensa numa única medida vários componentes da mobilidade: levantar-se, iniciar a marcha, caminhar, girar e sentar-se com controle. O giro costuma ser a parte mais reveladora — é onde aparecem hesitação, passos múltiplos e desequilíbrio.

A ferramenta também permite registrar as variantes de dupla tarefa: TUG cognitivo (repetir o percurso contando de trás para frente) e TUG manual (carregando um copo cheio de água). A diferença em relação ao TUG simples é o custo de dupla tarefa, calculado automaticamente.

O que ele não é: o TUG não é um teste de equilíbrio estático nem de força isolada, e um valor normal não exclui risco de queda. Ele é sensível a mudanças na mobilidade, mas pouco específico sobre a causa delas.

Como pontuar

Cadeira com braços e altura padrão, com as costas apoiadas no início. Ao comando, a pessoa levanta-se, caminha 3 metros em ritmo confortável e seguro, gira, retorna e senta-se. O cronômetro para quando as costas voltam a encostar. É permitido usar o dispositivo de auxílio habitual — registre qual.

Faça uma tentativa de familiarização antes da medida válida. O resultado registrado é o tempo em segundos; quanto menor, melhor.

Como interpretar o escore

Não existe um ponto de corte universal. Valores frequentemente citados para risco de queda (como 13,5 segundos) variam muito conforme a população estudada e têm acurácia modesta quando usados isoladamente. O TUG é mais confiável como medida de acompanhamento do mesmo paciente do que como teste de triagem com corte fixo.

O tempo do TUG depende fortemente da idade, do diagnóstico e do dispositivo de auxílio. Comparar o valor de um paciente com uma tabela genérica costuma informar menos do que comparar o paciente com ele mesmo, semanas antes.

Registre sempre as mesmas condições — mesma cadeira, mesmo calçado, mesmo auxílio, mesmo momento em relação à medicação. Em Parkinson, a fase ON/OFF muda o resultado mais do que a maioria das intervenções.

Quanto de mudança é significativo?

Ao reaplicar o instrumento, duas perguntas diferentes precisam de resposta: a mudança é real (ultrapassa o erro de medição do teste) e ela importa (é grande o suficiente para fazer diferença para o paciente)?

MétricaLimiarSeloFonte
Tempo (TUG simples)ver tabela abaixo

Limiares por população

Os limiares de mudança variam conforme a condição do paciente. Na ferramenta, um seletor no relatório longitudinal ajusta o valor aplicado.

PopulaçãoLimiarSelo
Osteoartrite de joelho (leve-mod)1,14 s✓ Mudança real
Osteoartrite de quadril2,3 s✓ Mudança real
Artroplastia / OA avançada2,49 s✓ Mudança real
Doença de Parkinson3,5 s✓ Mudança real
Idosos da comunidade (50+)2,7 s✓ Mudança real
O TUG não tem limiar "Geral". Nenhum valor único é defensável para todas as populações, e o limiar de importância clínica publicado fica abaixo do erro de medição em todas elas — acenderia dentro do ruído. Por isso a ferramenta exibe selo apenas quando uma população é selecionada, e só o selo azul de mudança real.

O relatório longitudinal aplica esses limiares automaticamente e exibe um selo quando a variação os ultrapassa. O critério completo está no manual do usuário.

Quando usar — e quando escolher outro

  • Boa escolha quando é preciso uma medida rápida e repetível de mobilidade funcional, especialmente em idosos, osteoartrite, pós-artroplastia e doença de Parkinson.
  • Pouco informativo isoladamente como triagem de queda — combine com histórico de quedas, equilíbrio (Berg ou Mini-BESTest) e velocidade da marcha.
  • Cuidado com o efeito de piso em pessoas muito ativas: quem completa o percurso em 6–7 segundos tem pouca margem para melhorar de forma mensurável.

Referências

Podsiadlo D, Richardson S. The Timed "Up & Go": a test of basic functional mobility for frail elderly persons. J Am Geriatr Soc. 1991;39(2):142–8.

Alghadir A, Anwer S, Brismée JM. The reliability and minimal detectable change of Timed Up and Go test in individuals with grade 1–3 knee osteoarthritis. BMC Musculoskelet Disord. 2015;16:174. doi:10.1186/s12891-015-0637-8

Huang SL, Hsieh CL, Wu RM, Tai CH, Lin CH, Lu WS. Minimal detectable change of the Timed "Up & Go" test and the Dynamic Gait Index in people with Parkinson disease. Phys Ther. 2011;91(1):114–21. doi:10.2522/ptj.20090126

Beauchamp MK, Hao Q, Kuspinar A, et al. Reliability and minimal detectable change values for performance-based measures of physical functioning in the Canadian Longitudinal Study on Aging. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2021;76(11):2030–8. doi:10.1093/gerona/glab175

Nicolini-Panisson RD, Donadio MVF. Normative values for the Timed "Up and Go" test in children and adolescents and validation for individuals with Down syndrome. Dev Med Child Neurol. 2014;56(5):490–7.

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