Questionários Clínicos
Dor · Crenças e comportamento

Escala de Catastrofização da Dor (BP-PCS)

Catastrofização é a tendência a ampliar a ameaça da dor, ruminar sobre ela e sentir-se incapaz de manejá-la. É um dos preditores psicossociais mais robustos de dor persistente, incapacidade e pior resposta a tratamentos — inclusive cirúrgicos.

<strong>13</strong> itens
<strong>0–52</strong> pontos
~10 min
3 subescalas

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O que o instrumento avalia

Os 13 itens distribuem-se em três dimensões: ruminação (não consigo parar de pensar na dor), magnificação (temo que algo grave aconteça) e desesperança (não há nada que eu possa fazer).

As três costumam andar juntas, mas o perfil orienta a conversa clínica: desesperança elevada aponta para trabalho sobre autoeficácia; magnificação, para esclarecimento sobre o significado dos sintomas.

Catastrofização não é fraqueza nem exagero deliberado. É um padrão de processamento da ameaça que responde a intervenção — e nomeá-lo dessa forma ao paciente costuma ser terapêutico por si só.

Como pontuar

Cada item vai de 0 (nunca) a 4 (sempre), pensando em como a pessoa se sente quando sente dor. O total varia de 0 a 52, e as três subescalas podem ser lidas separadamente.

O ponto de corte mais citado é ≥ 30, associado a nível clinicamente relevante de catastrofização.

Como interpretar o escore

Escores ≥ 30 justificam abordar explicitamente crenças e estratégias de enfrentamento, e sinalizam maior risco de resultado insatisfatório em intervenções puramente biomédicas.

O limiar de mudança é dependente do valor inicial: em quem parte de escore baixo, cerca de 8 pontos bastam; em catastrofizadores (> 30), a literatura sugere algo próximo de 11. A ferramenta aplica o valor global, mais conservador nos casos leves.

Quanto de mudança é significativo?

Ao reaplicar o instrumento, duas perguntas diferentes precisam de resposta: a mudança é real (ultrapassa o erro de medição do teste) e ela importa (é grande o suficiente para fazer diferença para o paciente)?

LimiarSeloFonte
8 pts✓ DMCSMonticone 2022 · lombalgia crônica

Apenas o total tem limiar validado por método de âncora. As subescalas têm somente valores de erro de medição, e por isso a ferramenta não exibe selo para elas.

O relatório longitudinal aplica esses limiares automaticamente e exibe um selo quando a variação os ultrapassa. O critério completo está no manual do usuário.

Quando usar — e quando escolher outro

  • Boa escolha em dor crônica e no rastreio pré-operatório, onde catastrofização prediz pior desfecho.
  • Aplique junto com FABQ ou TSK — medem construtos vizinhos, mas não iguais.
  • Reavalie após intervenção psicoeducativa; é uma medida responsiva.

Referências

Sullivan MJL, Bishop SR, Pivik J. The Pain Catastrophizing Scale: development and validation. Psychol Assess. 1995;7(4):524–32. doi:10.1037/1040-3590.7.4.524

Sehn F, Chachamovich E, Vidor LP, et al. Cross-cultural adaptation and validation of the Brazilian Portuguese version of the Pain Catastrophizing Scale. Pain Med. 2012;13(11):1425–35. doi:10.1111/j.1526-4637.2012.01492.x

Monticone M, Portoghese I, Rocca B, Giordano A, Campagna M, Franchignoni F. Responsiveness and minimal important change of the Pain Catastrophizing Scale in people with chronic low back pain undergoing multidisciplinary rehabilitation. Eur J Phys Rehabil Med. 2022;58(1):68–75. doi:10.23736/S1973-9087.21.06729-0

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