Questionários Clínicos
Saúde mental · Ansiedade e depressão

HADS — Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão

Rastreia ansiedade e depressão em pessoas com doença física. Seu diferencial é deliberado: exclui sintomas somáticos como fadiga, insônia e perda de apetite, que numa população clínica refletem a doença de base e não o estado emocional.

<strong>14</strong> itens
<strong>0–21</strong> por subescala
~10 min
Sem itens somáticos

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O que o instrumento avalia

São 14 itens divididos igualmente em duas subescalas: ansiedade (HADS-A) e depressão (HADS-D), cada uma variando de 0 a 21 e lida separadamente.

A subescala de depressão foi construída em torno da anedonia — perda de prazer e interesse — em vez de sintomas físicos, o que a torna mais específica em pacientes com doenças crônicas, oncológicas ou em reabilitação.

Por que isso importa: num paciente com câncer ou DPOC, instrumentos com itens somáticos superestimam depressão, porque fadiga e alteração de sono vêm da doença. A HADS evita esse viés por construção.

Como pontuar

Cada item vale de 0 a 3, referindo-se à última semana. Some os sete itens de cada subescala separadamente — não existe um escore total válido combinando as duas.

As faixas usuais, para cada subescala: 0–7 normal · 8–10 leve (possível caso) · 11–14 moderado · 15–21 grave. O corte de ≥ 8 é o mais usado para rastreio.

Como interpretar o escore

Leia as duas subescalas separadamente: é comum encontrar ansiedade elevada com depressão normal, sobretudo em fases iniciais de doença ou em contexto pré-operatório.

A HADS é um instrumento de rastreio. Escore acima do corte indica necessidade de avaliação diagnóstica, não diagnóstico. Ela também não avalia risco de suicídio — se essa for a preocupação, use um instrumento com item específico, como o PHQ-9.

Quanto de mudança é significativo?

Ao reaplicar o instrumento, duas perguntas diferentes precisam de resposta: a mudança é real (ultrapassa o erro de medição do teste) e ela importa (é grande o suficiente para fazer diferença para o paciente)?

MétricaLimiarSeloFonte
Ansiedade (HADS-A)3,8 pts✓ Mudança realLongo 2023 · ombro
Depressão (HADS-D)3,3 pts✓ Mudança realLongo 2023 · ombro
A HADS recebe apenas o selo azul. Os limiares de importância clínica publicados (em torno de 1,5 a 2 pontos) são menores que o erro de medição do próprio instrumento — acenderiam dentro do ruído. Nesse caso o limiar honesto é a mudança confiável, e é o que a ferramenta aplica. Na prática, para uma escala de 0 a 21 em números inteiros, isso significa uma variação de 4 pontos ou mais.

O relatório longitudinal aplica esses limiares automaticamente e exibe um selo quando a variação os ultrapassa. O critério completo está no manual do usuário.

Quando usar — e quando escolher outro

  • Boa escolha em pacientes com doença física — oncologia, cardiologia, pneumologia, reabilitação — onde instrumentos com itens somáticos perdem especificidade.
  • Prefira o PHQ-9 quando o foco for exclusivamente depressão e houver necessidade de avaliar ideação suicida.
  • Não combine as duas subescalas num total — a estrutura de dois fatores é justamente o que a torna útil.

Referências

Zigmond AS, Snaith RP. The Hospital Anxiety and Depression Scale. Acta Psychiatr Scand. 1983;67(6):361–70. doi:10.1111/j.1600-0447.1983.tb09716.x

Botega NJ, Bio MR, Zomignani MA, Garcia Jr C, Pereira WAB. Transtornos do humor em enfermaria de clínica médica e validação de escala de medida (HAD) de ansiedade e depressão. Rev Saude Publica. 1995;29(5):355–63. doi:10.1590/S0034-89101995000500004

Longo UG, Papalia R, De Salvatore S, et al. Establishing the minimum clinically significant difference (MCID) and the patient acceptable symptom score (PASS) for the Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS) in patients with rotator cuff disease and shoulder prosthesis. J Clin Med. 2023;12(4):1540. doi:10.3390/jcm12041540

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