A MFIS não pergunta quanta fadiga a pessoa sente. Pergunta o que a fadiga impediu de fazer nas últimas quatro semanas, separando o que ela tirou do corpo, do pensamento e da vida social.
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Fadiga é das queixas mais frequentes na esclerose múltipla e das mais difíceis de medir, porque é inteiramente subjetiva e porque a palavra cobre experiências diferentes. A MFIS resolve isso de um jeito específico: em vez de pedir uma nota de intensidade, lista consequências concretas e pergunta com que frequência cada uma ocorreu.
Os 21 itens se dividem em três domínios: físico (9 itens), cognitivo (10 itens) e psicossocial (2 itens). Repare na proporção: quase metade da escala é sobre pensamento, não sobre corpo.
Cada item vai de 0 (nunca) a 4 (sempre), e nenhum item é invertido. Os domínios têm tetos diferentes porque têm número diferente de itens: físico até 36, cognitivo até 40, psicossocial até 8. O total é a soma dos três e vai de 0 a 84.
Os tetos desiguais têm uma consequência prática que passa despercebida: 8 pontos no psicossocial é o máximo possível, enquanto 8 pontos no cognitivo é quase nada. Comparar os domínios em pontos brutos induz a erro, e por isso o gráfico desta ferramenta mostra o percentual de cada domínio.
O valor de referência mais citado é 38: abaixo disso considera-se ausência de fadiga, e acima, quanto maior o escore, maior o impacto. Esse corte vale para o total.
A distribuição entre domínios costuma ser mais útil que o total. Dois pacientes com 45 pontos podem precisar de condutas opostas: um com quase tudo concentrado no domínio físico, outro com a maior parte no cognitivo. O segundo raramente se beneficia de uma prescrição centrada em conservação de energia para atividades físicas.
Pavan K, Schmidt K, Marangoni B, Mendes MF, Tilbery CP, Lianza S. Esclerose múltipla: adaptação transcultural e validação da escala modificada de impacto de fadiga. Arq Neuropsiquiatr. 2007;65(3-A):669–673. doi:10.1590/S0004-282X2007000400024
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