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Neurologia · Fadiga

Escala Modificada de Impacto de Fadiga (MFIS)

A MFIS não pergunta quanta fadiga a pessoa sente. Pergunta o que a fadiga impediu de fazer nas últimas quatro semanas, separando o que ela tirou do corpo, do pensamento e da vida social.

<strong>21</strong> itens
<strong>0–84</strong> pontos
~5 min
↓ menor = menos impacto

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O que o instrumento avalia

Fadiga é das queixas mais frequentes na esclerose múltipla e das mais difíceis de medir, porque é inteiramente subjetiva e porque a palavra cobre experiências diferentes. A MFIS resolve isso de um jeito específico: em vez de pedir uma nota de intensidade, lista consequências concretas e pergunta com que frequência cada uma ocorreu.

Os 21 itens se dividem em três domínios: físico (9 itens), cognitivo (10 itens) e psicossocial (2 itens). Repare na proporção: quase metade da escala é sobre pensamento, não sobre corpo.

Fadiga não é fraqueza nem sonolência. Um paciente pode ter força muscular preservada e dormir bem, e ainda assim pontuar alto. Confundir os três leva a intervenções que não endereçam o problema.

Como pontuar

Cada item vai de 0 (nunca) a 4 (sempre), e nenhum item é invertido. Os domínios têm tetos diferentes porque têm número diferente de itens: físico até 36, cognitivo até 40, psicossocial até 8. O total é a soma dos três e vai de 0 a 84.

Os tetos desiguais têm uma consequência prática que passa despercebida: 8 pontos no psicossocial é o máximo possível, enquanto 8 pontos no cognitivo é quase nada. Comparar os domínios em pontos brutos induz a erro, e por isso o gráfico desta ferramenta mostra o percentual de cada domínio.

Como interpretar o escore

O valor de referência mais citado é 38: abaixo disso considera-se ausência de fadiga, e acima, quanto maior o escore, maior o impacto. Esse corte vale para o total.

Os domínios não têm faixa de gravidade publicada. Eles servem para localizar onde a fadiga pesa mais naquele paciente, e para acompanhar essa distribuição ao longo do tratamento, não para classificar.

A distribuição entre domínios costuma ser mais útil que o total. Dois pacientes com 45 pontos podem precisar de condutas opostas: um com quase tudo concentrado no domínio físico, outro com a maior parte no cognitivo. O segundo raramente se beneficia de uma prescrição centrada em conservação de energia para atividades físicas.

Quando usar — e quando escolher outro

  • Boa escolha na esclerose múltipla, onde foi desenvolvida e validada, e em outras condições neurológicas em que a fadiga limita a função.
  • Atenção ao período: a escala pergunta sobre as últimas quatro semanas. Reaplicar com menos intervalo faz as janelas se sobreporem e a comparação perde sentido.
  • Não substitui a investigação das causas tratáveis de fadiga: anemia, hipotireoidismo, distúrbio do sono, depressão e efeito de medicação continuam precisando ser descartados.
  • Sem limiar de mudança publicado. Não há MCID nem MDC com justificativa suficiente para a MFIS, então a variação entre reavaliações deve ser lida junto do relato do paciente, não contra um número de corte.

Referências

Pavan K, Schmidt K, Marangoni B, Mendes MF, Tilbery CP, Lianza S. Esclerose múltipla: adaptação transcultural e validação da escala modificada de impacto de fadiga. Arq Neuropsiquiatr. 2007;65(3-A):669–673. doi:10.1590/S0004-282X2007000400024

Téllez N, Río J, Tintoré M, Nos C, Galán I, Montalban X. Does the Modified Fatigue Impact Scale offer a more comprehensive assessment of fatigue in MS? Mult Scler. 2005;11(2):198–202. doi:10.1191/1352458505ms1148oa

Multiple Sclerosis Council for Clinical Practice Guidelines. Fatigue and multiple sclerosis: evidence-based management strategies for fatigue in multiple sclerosis. Washington, DC: Paralyzed Veterans of America, 1998.

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