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Pediatria · Autismo

ATEC: Formulário para Avaliação de Tratamentos do Autismo

O ATEC foi criado para responder a uma pergunta que faltava instrumento: este tratamento está ajudando? Ele não diz se a criança tem autismo. Ele mede a mesma criança ao longo do tempo.

<strong>77</strong> itens
<strong>0–179</strong> pontos
~15 min
respondido pelo cuidador

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O que o instrumento avalia

São quatro subescalas: fala, linguagem e comunicação (14 itens), sociabilidade (20), percepção sensorial e cognitiva (18) e saúde, aspectos físicos e comportamento (25). Quem responde é pai, mãe, professor ou cuidador, não o profissional, e sobre o que observa no dia a dia.

Isso é uma força e um limite ao mesmo tempo. A força é captar o que ninguém vê em consulta: como a criança dorme, come, reage a barulho, se despede. O limite é que o informante muda a medida, e por isso reavaliações devem ser respondidas sempre pela mesma pessoa, sob pena de a variação refletir quem respondeu em vez do que mudou.

Não é um instrumento diagnóstico. Um escore alto não estabelece diagnóstico e um escore baixo não o afasta. Diagnóstico de autismo é clínico e segue critérios próprios.

Como pontuar

Duas das quatro subescalas são invertidas, e essa é a fonte de erro mais comum na aplicação em papel. As subescalas I e III listam habilidades ("sabe o próprio nome", "responde ao próprio nome"). Como no ATEC mais pontos significam mais dificuldade, responder "verdade" vale zero e "não verdadeiro" vale 2. Já as subescalas II e IV listam problemas e pontuam na direção direta. A ferramenta faz isso automaticamente.

Os tetos são 28, 40, 36 e 75, somando 179. Vários materiais, inclusive da própria instituição que publica o instrumento, citam 180 como máximo, o que contradiz as faixas por subescala que eles mesmos listam. A aritmética do instrumento dá 179.

Como interpretar o escore

O ATEC não tem faixa de gravidade. Não existe um número acima do qual se diga que o quadro é grave, e nem foi para isso que ele foi feito. O que vale é a comparação da criança consigo mesma: o escore de hoje contra o escore de três meses atrás.

Menos pontos é melhor. Uma queda de 60 para 48 indica melhora. É o contrário da leitura intuitiva de quem está acostumado a escalas em que pontuar mais é melhor.

Olhar as subescalas separadamente costuma revelar o que o total esconde. Um tratamento pode melhorar bastante sono e comportamento, na subescala IV, sem mover a comunicação, na subescala I. O total mal se move e a família percebe diferença real no dia a dia. O gráfico desta ferramenta mostra o percentual de cada subescala justamente para tornar isso visível.

Quando usar — e quando escolher outro

  • Boa escolha para acompanhar a resposta a uma intervenção ao longo de meses, com reavaliações espaçadas.
  • Mesmo informante, sempre. Se a primeira avaliação foi respondida pela mãe, as seguintes também devem ser. Trocar quem responde introduz variação que não vem da criança.
  • Não use para diagnóstico nem para triagem. Para isso existem instrumentos próprios, com essa finalidade e com validação para ela.
  • Atenção ao respaldo em português: existe tradução oficial, mas não encontramos estudo de validação brasileira publicado, ao contrário de outros instrumentos deste catálogo. Os escores são úteis para comparação interna; comparações com dados da literatura internacional pedem cautela.

Referências

Rimland B, Edelson SM. Autism Treatment Evaluation Checklist (ATEC). San Diego: Autism Research Institute. Tradução oficial em português disponível no site do instituto. PubMed

Autism Research Institute. Understanding the ATEC score: interpretation and validity. Distribuições por percentil e faixas por subescala. PubMed

Uso por profissionais de saúde. Esta página é material educativo e a ferramenta é um apoio à avaliação clínica — não substitui o julgamento profissional nem constitui diagnóstico.